O papel do DSF e DSC na avaliação da estabilidade de proteínas

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A avaliação da estabilidade das proteínas é um parâmetro extremamente importante na pesquisa de biofármacos. Recentemente, o método de quantificação fluorescente diferencial (DSF) tem sido amplamente utilizado como uma técnica para avaliar as características de desdobramento das proteínas. O DSF é bastante simples e permite a triagem rápida com pequenas quantidades de amostra, sendo útil nas etapas iniciais de pesquisa.

No entanto, no desenvolvimento de medicamentos, devido ao surgimento de modalidades diversificadas como conjugados anticorpo-fármaco, anticorpos biespecíficos, ácidos nucleicos e nanopartículas lipídicas de mRNA (LNP), há uma crescente demanda por métodos de medição mais universais. Nesse contexto, casos em que a aplicação do DSF apresenta limitações começaram a ser observados.

Por outro lado, a calorimetria diferencial de varredura (DSC) é uma técnica altamente versátil, com ampla gama de aplicações além da medição da estabilidade térmica das proteínas. Ademais, ao medir a estabilidade térmica das proteínas, pode fornecer uma visão mais abrangente, levando à melhoria na tomada de decisões e à redução da possibilidade de falsos positivos em comparação com o DSF.

O que é DSF? Suas características e considerações

O DSF é uma técnica que utiliza corantes fluorescentes para capturar as mudanças de fluorescência associadas à desnaturação das proteínas. Com o aumento da temperatura, o corante fluorescente interage com as regiões hidrofóbicas da proteína, detectando o progresso do desdobramento. Esta técnica tem a vantagem de ser rápida e viável mesmo com pequenas quantidades de amostra.

No entanto, devido à dependência de corantes fluorescentes, sua confiabilidade pode diminuir em proteínas que não interagem com o corante ou em amostras que são fortemente influenciadas por compostos coexistentes. Além disso, o DSF se limita principalmente à medição de Tm (temperatura de desnaturação) e não fornece outras informações termodinâmicas, como entalpia ou capacidade térmica.

DSC permitindo uma análise mais abrangente

A calorimetria diferencial de varredura (DSC) é uma técnica que não necessita de corantes fluorescentes e mede diretamente a absorção e liberação de calor associadas ao desdobramento de proteínas. No DSC, além do Tm, é possível obter perfis termodinâmicos detalhados, como a variação de entalpia (ΔH) e capacidade calorífica (Cp), permitindo assim uma obtenção de insights mais profundos.

Além disso, o DSC não é afetado por artefatos ópticos e pode ser aplicado a vários tipos de biomoléculas (proteínas, ácidos nucleicos, lipídios, etc.), sendo reconhecido como uma técnica de medição mais confiável e versátil.

Comparação e diferenciação de uso de DSF e DSC na medição de estabilidade protéica

O DSF é extremamente útil em triagens de alto rendimento, dado o pequeno volume de amostra necessário, sendo amplamente utilizado em estágios iniciais de pesquisa onde velocidade e eficiência são cruciais para a tomada de decisões.

No entanto, como é baseado na medição de sinal de fluorescência, pode ocorrer variabilidade de sinal devido à influência de substâncias coexistentes ou interação com o corante, tornando a aplicação difícil em certas condições de amostra.

Por outro lado, o DSC fornece dados termodinâmicos mais abrangentes e reprodutíveis, sendo altamente eficaz em cenários que exigem avaliações precisas, como desenvolvimento de formulações de biofármacos, avaliação de biossimilares e preparação de materiais para submissão a autoridades regulatórias. O DSC é menos suscetível a artefatos ópticos e mantém alta confiabilidade sob várias condições de solventes e co-solventes, sendo seguro para uso em avaliações de qualidade pós-processo.

CaracterísticasDSCDSF
Análise sem rótulosX
Aplicável a proteínas, ácidos nucleicos e lipídiosX
Triagem de alto rendimentoX
Dados termodinâmicos detalhadosX
Sensível a todos os níveis de estrutura protéicaX
Pouco influenciado por artefatos ópticosX
Requer pouca quantidade de amostraX
Alta reprodutibilidadeX
Medições minimizando o impacto do tampãoX

O DSF e DSC têm suas próprias forças, e é importante diferenciá-los de acordo com o objetivo da pesquisa. Por exemplo, o DSF é adequado quando se deseja realizar triagens rápidas em estágios iniciais ou com um grande número de amostras. Em contraste, o DSC é uma excelente escolha para cenários que exigem avaliações de estabilidade mais detalhadas e precisas, como desenvolvimento de formulações, avaliação de biossimilares e preparação de materiais para submissão a autoridades regulatórias.

Na pesquisa de biofármacos, a avaliação da estabilidade é um estágio crítico que influencia o design da formulação, controle de qualidade e até mesmo a aprovação regulatória. Equipamentos de DSC de alta precisão, como o MicroCal PEAQ-DSC, fornecem dados termodinâmicos confiáveis, tornando-se ferramentas extremamente úteis para pesquisadores. A escolha de um método de avaliação adequado ao estágio e objetivo da pesquisa contribui significativamente para o sucesso no desenvolvimento de produtos.


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