Conhecer a afinidade de ligação é crucial para se compreender as interações intermoleculares que impulsionam processos biológicos, a biologia estrutural e os relacionamentos estrutura-função. Ela também é medida como parte do processo de descoberta de drogas, ajudando a desenvolver drogas que ligam seus alvos de maneira seletiva e específica.

A afinidade de ligação é a força da interação de ligação entre uma única biomolécula (ex.: proteína ou DNA) e seu ligando/parceiro de ligação (ex.: droga ou inibidor). A afinidade de ligação é normalmente medida e reportada pela constante de dissociação de equilíbrio (KD), que é usada para avaliar e classificar as forças da ordem de interações biomoleculares. Quanto maior o valor de KD, maior a afinidade de ligação do ligando e seu alvo. A afinidade de ligação é influenciada por interações intermoleculares não covalentes, como a ligação do hidrogênio, as interações eletrostáticas e as forças de Van der Waals entre as duas moléculas.

Existem muitas maneiras de se medir a afinidade de ligação e as constantes de dissociação, como ELISA, ensaios de gel-shift, ensaios de pull-down, diálise de equilíbrio, ultracentrifugação analítica, SPR e ensaios espectroscópicos. A Calorimetria de titulação isotérmica (ITC) é um ensaio direto, livre de marcadores, que mede a afinidade de ligação entre quaisquer duas biomoléculas que interagem entre si, por exemplo: ligação proteína-ligando. A ITC pode medir valores de KD no intervalo milimolar e nanomolar, podendo, também, determinar a estequiometria de ligação e a termodinâmica de ligação, importantes na caracterização das interações intermoleculares. Essa técnica é descrita como "padrão ouro" da análise de interações, pois permite o estudo de uma ampla gama de interações, oferecendo valores KD altamente quantitativos.